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É provável que você tenha ouvido falar do grafeno. Se não, aí vai um rápido resumo: trata-se de um material tido como revolucionário. Por conseguir assumir formas inusitadas (como globos e tubos) e ser ótimo em transmitir e armazenar calor e eletricidade, o composto químico foi apresentado como um ponto de virada na forma com que encaramos a produção de materiais. É nele que estão depositadas, por exemplo, as esperanças de um futuro com as baterias de lítio mais poderosas e duradouras. Já pensou em ter um celular que não vai te deixa na mão?

O clamor foi tanto que gente grande entrou na onda. Em 2013 a União Europeia criou a Graphene Flagship, uma iniciativa dedicada exclusivamente a estudar e desenvolver o material. O investimento foi de US$ 1 bilhão (R$ 4,3 bilhões). A mais cara pesquisa científica da história do grupo. O problema é que o gigantesco investimento talvez tenha sido em um material que já não é o top de linha. Cientistas estão cravando que o grafeno ficou para trás. O novo queridinho dos pesquisadores é um primo dele, com nome bem parecido: o borofeno. Borofeno é um novo composto que foi produzido pela primeira vez só em 2015 (para efeitos de comparação, o grafeno já está por aí desde 1924)

Um estudo da Universidade de Xiamen, na China aponta que o borofeno é superior ao grafeno em basicamente todos os quesitos. Ele é mais forte que o outro eno e, ao mesmo tempo, mais flexível. Seu grande trunfo, no entanto, está na possibilidade de customização. O borofeno consegue existir com diferentes estruturas moleculares. Cada uma com propriedades únicas….

Imagine como um carro. O mesmo motor pode estar em um sedan, em um hatch, ou em um esportivo, dependendo das necessidades do seu dono. O borofeno faz a mesma coisa. O que é mais importante para você? Armazenar calor? Faça estrutura X! Seu foco é a transmissão de energia? Átomos alinhados de forma Y te darão um resultado melhor….

Essa é a versão simplificada da história, claro, quem quiser os detalhes técnicos do elemento pode encontrá-los no estudo chinês…

Além disso, o borofeno é extremamente leve e reativo – o que na prática é traduzido como uma alternativa ainda melhor que o grafeno, para a criação da nova geração de baterias…

De qualquer forma, ainda não dá para dizer que ele será a resposta para todos nossos problemas. O borofeno tem ainda algumas questões importantes para solucionar: o primeiro é sua acessibilidade. O material é caro e difícil de ser produzido, fazê-lo em grande escala ainda é algo impensável para hoje. Outro problema é que ele possui uma alta taxa de oxidação, ou seja, some se ficar desprotegido – o que torna o processo de manuseamento de borofeno ainda mais complexo e caro…